E se eu fosse o
primeiro a voltar
Pra mudar o que
eu fiz
Quem então agora
eu seria?
...
Ah, tanto faz
Que o que não
foi não é
Eu sei que ainda
vou voltar
Mas eu, quem
será?
...
E se eu for
O primeiro a
prever
E poder desistir
Do que for dar
errado?
Ora, se não sou
eu
Quem mais vai
decidir
O que é bom pra
mim?
Dispenso a
previsão
Ah, se o que eu
sou
É também o que
eu escolhi ser
Aceito a
condição
Los Hermanos
A música
“O Velho e o Moço” dos Los Hermanos mexe muito comigo e sempre me pego
refletindo nela. Que letra cheia de significados... Nossas versões de “Velho” e
“Moço” denotam uma questão de maturidade, de experiência de vida, de modos
diferentes de enxergar as coisas.
Quando
passei a me dar conta de que já não era mais uma menina cheia de ilusões com a
vida, de sonhos irreais, de perspectivas impossíveis e me tornei uma mulher,
com posicionamentos, certezas, em busca de sonhos realizáveis e de
planejamentos de objetivos possíveis, percebi coisas fundamentais que essa
música traz consigo.
Olhando
para o passado, muitas vezes tive o
impulso de pensar: “E se eu fosse o primeiro a voltar Pra mudar o que eu fiz, Quem então agora eu seria?”; porém, hoje com a maturidade que
tenho vejo que essa pergunta é um equívoco, não é possível voltar ao passado e
mudar o que aconteceu e mesmo se tivesse essa oportunidade, não o faria, pois o
que eu sou hoje é resultado de todas as experiências que vivi, então,
quem seria eu? Eu escolho aquilo que sou, meu presente é reflexo das minhas
vivências e não gostaria de ser outra pessoa. Essa constatação traz um alívio
sem fim, uma paz de saber que você está no lugar certo, com as escolhas certas,
com uma identidade construída a partir daquilo que você é e foi. =D
Meus
queridos, se o seu passado não foi aquilo que você gostaria, não sofra por
isso, escolha hoje construir um presente e um futuro possíveis, com sonhos reais
e objetivos delimitados. Tire o peso, busque paz interior e não dê tanta
importância ao que não tem mais relevância hoje. Aprenda a se perdoar de
verdade, a esquecer tudo aquilo que não foi tão bom assim, mas que te deu
bagagem e visão para reescrever sua história com o cenário que você quer
construir a partir de agora!
Olhando
para o futuro também poderíamos ter
o impulso de pensar: “E se eu for O primeiro a prever
E poder desistir Do que for dar errado?”; essa pergunta também pode passar pela sua cabeça... e
se você tivesse a capacidade de antecipar e alterar aquilo que escapasse dos
seus planos, você o faria? Provavelmente as pessoas extremamente controladoras
fariam isso.. rs Mas e qual seria a beleza do amanhã? A surpresa, o livro vazio
de possibilidades? A espera e o alcance, a ansiedade e a concretização? Mesmo
que saindo um pouco do que foi devidamente estruturado, não é bom
pensar que podemos a qualquer momento mudar de direção? Quem seríamos hoje se
não tivéssemos recalculado tantas vezes a rota? Somos livres pra escrevermos a
história que quisermos, pois “o que não foi não é”, o que não aconteceu não era o nosso
caminho.
Com uma
letra altamente explicativa, deixo o final da música como uma poesia pros nossos
olhos, como um clarão pras nossas ideias: “Ora, se não sou eu Quem mais vai
decidir O que é bom pra mim? Dispenso a previsão. Ah, se o que eu sou É também o que eu escolhi ser, Aceito a condição”; e desejo a vocês que se aceitem, se
amem, amem seu passado, amem suas escolhas, amem seus erros, amem seu futuro, eles
fazem parte de quem vocês são. Seja todo o seu potencial de existir! Aceite a condição de ser você! ;)
Gosto muito de um filósofo existencialista que fala sobre liberdade e escolhas, o Jean-Paul Sartre, segundo ele somos responsáveis por escolher aquilo que fazemos a nós próprios, independente do que fizeram conosco, isto é, de tudo o que acontece, nós temos a liberdade da nossa própria existência, isso é muito lindo! heart emoticon
Maíra de Melo Sathler
CRP: 05/48726
CRP: 05/48726
