segunda-feira, 9 de novembro de 2015

“O Velho e o Moço”

E se eu fosse o primeiro a voltar
Pra mudar o que eu fiz
Quem então agora eu seria?
...
Ah, tanto faz
Que o que não foi não é
Eu sei que ainda vou voltar
Mas eu, quem será?
...
E se eu for
O primeiro a prever
E poder desistir
Do que for dar errado?

Ora, se não sou eu
Quem mais vai decidir
O que é bom pra mim?
Dispenso a previsão

Ah, se o que eu sou
É também o que eu escolhi ser
Aceito a condição

Los Hermanos

A música “O Velho e o Moço” dos Los Hermanos mexe muito comigo e sempre me pego refletindo nela. Que letra cheia de significados... Nossas versões de “Velho” e “Moço” denotam uma questão de maturidade, de experiência de vida, de modos diferentes de enxergar as coisas.

Quando passei a me dar conta de que já não era mais uma menina cheia de ilusões com a vida, de sonhos irreais, de perspectivas impossíveis e me tornei uma mulher, com posicionamentos, certezas, em busca de sonhos realizáveis e de planejamentos de objetivos possíveis, percebi coisas fundamentais que essa música traz consigo.

Olhando para o passado, muitas vezes tive o impulso de pensar: “E se eu fosse o primeiro a voltar Pra mudar o que eu fiz, Quem então agora eu seria?”; porém, hoje com a maturidade que tenho vejo que essa pergunta é um equívoco, não é possível voltar ao passado e mudar o que aconteceu e mesmo se tivesse essa oportunidade, não o faria, pois o que eu sou hoje é resultado de todas as experiências que vivi, então, quem seria eu? Eu escolho aquilo que sou, meu presente é reflexo das minhas vivências e não gostaria de ser outra pessoa. Essa constatação traz um alívio sem fim, uma paz de saber que você está no lugar certo, com as escolhas certas, com uma identidade construída a partir daquilo que você é e foi. =D

Meus queridos, se o seu passado não foi aquilo que você gostaria, não sofra por isso, escolha hoje construir um presente e um futuro possíveis, com sonhos reais e objetivos delimitados. Tire o peso, busque paz interior e não dê tanta importância ao que não tem mais relevância hoje. Aprenda a se perdoar de verdade, a esquecer tudo aquilo que não foi tão bom assim, mas que te deu bagagem e visão para reescrever sua história com o cenário que você quer construir a partir de agora!

Olhando para o futuro também poderíamos ter o impulso de pensar: “E se eu for O primeiro a prever E poder desistir Do que for dar errado?”; essa pergunta também pode passar pela sua cabeça... e se você tivesse a capacidade de antecipar e alterar aquilo que escapasse dos seus planos, você o faria? Provavelmente as pessoas extremamente controladoras fariam isso.. rs Mas e qual seria a beleza do amanhã? A surpresa, o livro vazio de possibilidades? A espera e o alcance, a ansiedade e a concretização? Mesmo que saindo um pouco do que foi devidamente estruturado, não é bom pensar que podemos a qualquer momento mudar de direção? Quem seríamos hoje se não tivéssemos recalculado tantas vezes a rota? Somos livres pra escrevermos a história que quisermos, pois “o que não foi não é”, o que não aconteceu não era o nosso caminho. 

Com uma letra altamente explicativa, deixo o final da música como uma poesia pros nossos olhos, como um clarão pras nossas ideias: “Ora, se não sou eu Quem mais vai decidir O que é bom pra mim? Dispenso a previsão. Ah, se o que eu sou É também o que eu escolhi ser, Aceito a condição”; e desejo a vocês que se aceitem, se amem, amem seu passado, amem suas escolhas, amem seus erros, amem seu futuro, eles fazem parte de quem vocês são. Seja todo o seu potencial de existir! Aceite a condição de ser você! ;)

Gosto muito de um filósofo existencialista que fala sobre liberdade e escolhas, o Jean-Paul Sartre, segundo ele somos responsáveis por escolher aquilo que fazemos a nós próprios, independente do que fizeram conosco, isto é, de tudo o que acontece, nós temos a liberdade da nossa própria existência, isso é muito lindo! heart emoticon

Maíra de Melo Sathler
CRP: 05/48726