segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

“Todas Elas Juntas Num Só Ser...”

Ela nunca acreditou no lema Gabriela: “Eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim, vou ser sempre assim: Gabriela. Sempre Gabriela!”. Sempre soube no seu íntimo que podia ser o que quisesse e desejasse e que assim aconteceria. Quis ser muitas coisas: aeromoça, patinadora, cabeleireira, bailarina, maquiadora, administradora, psicóloga, empreendedora, gestora de pessoas, modelo de passarela... E desempenhou muitos desses papéis quando e no momento em que lhe foi conveniente.

Deseja ser e é. Sonha e realiza. Assim foi desde menina quando já demonstrava ser uma pessoa de personalidade forte. Sua mãe conta que desde os seus dois aninhos abria seu guarda-roupa e escolhia suas roupinhas em perfeita combinação apontando e dizendo: “Ête, ête, ête...”.

Decidida, sempre soube o que queria. Mesmo se o seu querer fosse o NÃO querer algo, ela intuía. Lutou e luta desde sua adolescência para não repetir padrões de comportamentos que percebia não serem os melhores ou mais adequados aos seus valores e princípios. Ela pode e se permite ser diferente e autêntica a seu jeito.

Busca ampliar sua visão de mundo constantemente. Abre-se ao novo, experimenta, vive, vacila, muda, cresce, anda. Sua vida é movimento. É estar no mundo, se posicionar, se permitir errar, refocar, renovar e melhorar. Por isso, acredita tanto no potencial humano, pois sua própria vida é reflexo da mudança. Afinal, ela morou em quatro estados diferentes, passou por dez escolas. No momento cursa sua segunda pós-graduação e passa por uma transição de carreira. Muitos cursos, muitas viagens, muitas amizades, muitas reviravoltas na vida.

Ela reflete esse ser-estar no mundo de forma intensa: cheia de emoções e reflexões. Desde menina se vê analisando e pensando sobre as coisas ao redor: sobre as relações, sobre o ser humano inserido em tantos contextos caóticos. Ela entrou na faculdade de Psicologia para entender o outro, a si própria e para ter algumas respostas sobre a vida, mas percebeu que na verdade não existem respostas prontas, o que existem são boas perguntas, oportunidades, escolhas, decisões e ações. Ela ou muitas Elas Num Só Ser não se limita. Não se aprisiona. Porém escolheu se construir Psicóloga a cada dia, desde a sua decisão de olhar para o outro.




segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

"Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

A VIDA (Mário Quintana)
"Depois de muitas quedas, eu descobri que, às vezes, quando tudo dá errado, acontecem coisas tão maravilhosas que jamais teriam acontecido se tudo tivesse dado certo. 

Eu percebi que quando me amei de verdade pude compreender que, em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa.

Então pude relaxar... pude perceber que o sofrimento emocional é um sinal de que estou indo contra a minha verdade.

Parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.

Desisti de querer ter sempre razão e com isso errei muito menos vezes.
Desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro.
Isso me mantém no presente, que é onde a vida acontece.

Descobri que na vida a gente tem mais é que se jogar, porque os tombos são inevitáveis.

Percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. Também percebi que sem amor, sem carinho e sem verdadeiros amigos a vida é vazia e se torna amarga.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo....."

Que lindeza de poema, esses versos falaram comigo e tenho aprendido tantas dessas verdades. 

Agradeço a Deus por me permitir viver mais um ano de alegrias, desafios, dores e superações! Creio que terei um ano maravilhoso! Desejo a vocês também um ano de realizações! ;)



quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Serei Breve... ou não!


Lidar com a brevidade do tempo não é muito natural para os jovens. Quando um jovem se depara com a questão da morte ou de como a vida é breve e passageira, normalmente ele entra em desespero. Afinal, pensar no término da vida quando se está no início dela não é uma tarefa fácil.

Nesse último mês comecei um trabalho como Cuidadora de Idosos, até por isso que dei uma sumida daqui. Não por falta de assunto, pois minha mente está fervilhando de ideias, mas por falta de tempo mesmo. Que interessante e rica é essa função! Estou aprendendo muito como pessoa, psicóloga e ser humano. O mais legal é que iniciei esse tipo de trabalho com minha própria avó, uma oportunidade única de cuidar dela e de conhecer de perto uma história de vida que não conhecia com tantos detalhes e significados.

Pra vocês se situarem um pouco em relação à vida da minha avozinha linda, ela tem 86 anos, 5 filhos e 3 netos e é natural de uma cidadezinha do interior de Alagoas chamada Rio Largo. Foi para Recife para trabalhar em um hospital como enfermeira parteira, conheceu meu avô e se casou. Se mudou para o Rio de Janeiro e foi muito feliz em seu casamento e com seus filhos, sempre muito amada, alegre, de bem com a vida, falante, educada, espiritualizada e ativa. Sua casa vivia e vive cheia de gente, constantemente sendo visitada pela família. Nunca faltou amor e companheirismo entre nós. Somos uma típica família de descendência italiana, gostamos de estar juntos, somos alegres, festeiros, falamos alto, nos amamos e expressamos nosso amor de uma forma muito afetiva e intensa! Rs Em nossas reuniões constantemente um ou outro pede a palavra e fala abertamente sobre seus sentimentos, suas lutas, vitórias e oramos uns pelos outros. Coisa linda, minha família é meu tesouro e orgulho maior.

Minha avó Zeza sofreu grandes perdas na vida, a primeira aos oito anos quando perdeu seu pai e mãe e depois quando adulta perdeu seu marido, meu avô, há 20 anos. Ela tem problemas de pulmão desde que se entende por gente e eventualmente piora da bronquite asmática e fica internada. Alguns anos atrás ela sofreu pequenos AVC’s e falta de ar no cérebro, o que ocasionou um quadro de demência. Hoje não tem plena consciência de si e dos eventos externos, sofre de alucinações e delírios, precisa de cuidados constantes e não sai muito de casa. Tem perda de memória recente, porém a maioria das memórias de longo prazo estão preservadas.

Passar um tempo com um idoso com tamanha vitalidade é se inundar de histórias e recordações do passado que se tornam tão reais com a doença que muitas vezes são misturadas, fazendo parte de delírios que unem realidade e fantasia. Porém, em seus melhores dias, ao me sentar no sofá com ela, pude apreciar tanta sabedoria e beleza em seus relatos. Uma vida dedicada ao amor. Primeiro aos mais pobres quando trabalhava no hospital e ajudava os que não tinham condições, e posteriormente uma vida de entrega e sacrifícios pela sua família, criando seus cinco filhos com muita dificuldade até meu avô se estabilizar e alcançar sucesso como músico contrabaixista da Orquestra Sinfônica Brasileira. Ele tocou com os melhores, como Baden Powell, Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Elis Regina, Frank Sinatra e outros, no Brasil e no exterior. Meu avô foi um grande músico e homem, valente e talentoso.

Como uma boa nordestina que é, também possui características de personalidade forte. É exigente com sua casa, gosta de tudo arrumado, limpo, com flores nas mesas, reclama se algo não está do jeito que ela quer, é pragmática com seus horários de alimentação e se vê algum comportamento que lhe parece ruim, chama a atenção. Sempre zelosa e cuidadosa com seu lar. Gosta de claridade, adora descer no play pra pegar um sol nos dias quentes, odeia o inverno, pois o frio e a umidade muitas vezes a deixa doentinha.  Reconhece sempre a presença de Deus na natureza - já a presenciei na janela falando sobre flores, pássaros, árvores, sol, do quanto a vida é linda e deve ser vivida apesar dos sofrimentos. É incrível que mesmo em seus delírios ela consiga fazer e viver poesia! Gosta de cantar e volta e meia nos dá a felicidade de ouvi-la. Também gosta de pintar e com a modinha dos livros de colorir, ela descobriu um talento que não sabia possuir. Seus desenhos ficam lindos e muito coloridos! Essa veia artística nos permeia.

Porém, a vida também tem seus sofrimentos e a doença física e mental muitas vezes traz com ela dores emocionais que não temos ideia de que estão lá, até que não tem como suprimir, elas extravasam. E foi assim com minha avó. Desde que adoeceu uma parte dela ainda adormecida e desconhecida por nós, e talvez até por ela própria, emergiu com grande força. Seu histórico de perdas norteou e norteia sua existência e é uma das principais temáticas de seus delírios. Como uma pessoa positiva, não deixava isso transparecer e sempre nos pareceu uma pessoa muito bem resolvida, com seus conflitos internos vivenciados e curados, entretanto com o surgimento da doença, vimos que não foi bem assim. Muitas dores ficam enclausuradas dentro de nós até que uma força maior que nós mesmos traz a tona toda o sofrimento de uma vida cheia de falsas resoluções, falsos fechamentos, lutos não vivenciados em sua devida intensidade para que fossem completamente sarados ou ressignificados.

Com a perda da lucidez e consciência dos fatos, as emoções que os acompanham se desconectam, ficam soltas como energia latente, prontas pra serem vividas e significadas. Porém há a perda do significado inicial. Essa energia livre precisa achar uma nova forma de extravasar, de modo que surjam novos sentidos pra esses fatos que são vivenciados na fantasia, distorcendo a realidade. As emoções são experienciadas com outro sentido e outra interpretação, sem o controle do Ego, e ficam imersas no nosso Inconsciente, ficando quase impossível serem controladas, logo não há limites pra imaginação.

Assim a mente dela vagueia juntando fatos reais com emoções sem conexões com a realidade, e o sofrimento aparece. A perda precoce de seus pais e seu marido antes do que imaginava é vivenciada como abandono. Seu desejo é voltar ao passado, onde o sentimento de plenitude que sentia pelo amor incondicional que teve deles e por eles a preenchia e dava a ela segurança, já que sem eles, sua vida é incompleta em seu universo particular formado pela doença. Ela sente como se eles a tivessem abandonado, como se eles tivessem a deixado e ido embora, sem explicações e sem motivos e não entende mais a morte deles, não consegue fechar esses lutos, porque antes não tinham sido trabalhados devidamente e sim, deixados de lado pelo ideal da supermãe e mulher que tinha que dar conta de tudo e de todos. Sua fortaleza de antes se tornou a fraqueza de hoje. Uma frase que ela sempre fala e que expressa essa dor de perda: “O tempo passa como o vento e é difícil voltar atrás como é difícil voltar quem já morreu”.

A pergunta que ecoou durante duas semanas na minha mente foi: “Ok, eu compreendi a experiência de vida dela, o significado do seu sofrimento e o quanto ele ficou visível com a doença, mas e agora? O que podemos fazer hoje?”. Conversando com amigos psicólogos tive a compreensão de que hoje o idoso só precisa de afeto, amor, carinho, muitos beijos e abraços, precisa se sentir vivo, amado, afirmado em sua trajetória de vida, precisa sentir que sua família está presente, principalmente fisicamente e com palavras que verbalizem sua importância na vida de cada um. Ele precisa sentir que sua família não a abandonará. Como um bebezinho que necessita de sua mãe como uma necessidade primária de afeto e cuidado, assim o idoso necessita de seus familiares. A vida se inicia e termina da mesma forma, pelo amor e para o amor. 

Jovens e adultos, também aprendi outra coisa com essa experiência: resolvam seus conflitos internos, os aceitem, os integrem a sua vivência presente, busquem a intensidade de suas emoções para fechar seus conflitos de forma saudável e satisfatória, e não deixem chegar a fase idosa sem ter trabalhado suas questões. A vida sempre cobra da gente. Uma hora a dor bate na porta buscando ser compreendida. Não deixe pra depois, resolva hoje enquanto existe lucidez. A vida é breve!

Gratidão por essa experiência. Que aprendizado!


Maíra de Melo Sathler
CRP: 05/48726


                           *Eu no colo da minha vó, meu irmão e meu avô.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

“O Velho e o Moço”

E se eu fosse o primeiro a voltar
Pra mudar o que eu fiz
Quem então agora eu seria?
...
Ah, tanto faz
Que o que não foi não é
Eu sei que ainda vou voltar
Mas eu, quem será?
...
E se eu for
O primeiro a prever
E poder desistir
Do que for dar errado?

Ora, se não sou eu
Quem mais vai decidir
O que é bom pra mim?
Dispenso a previsão

Ah, se o que eu sou
É também o que eu escolhi ser
Aceito a condição

Los Hermanos

A música “O Velho e o Moço” dos Los Hermanos mexe muito comigo e sempre me pego refletindo nela. Que letra cheia de significados... Nossas versões de “Velho” e “Moço” denotam uma questão de maturidade, de experiência de vida, de modos diferentes de enxergar as coisas.

Quando passei a me dar conta de que já não era mais uma menina cheia de ilusões com a vida, de sonhos irreais, de perspectivas impossíveis e me tornei uma mulher, com posicionamentos, certezas, em busca de sonhos realizáveis e de planejamentos de objetivos possíveis, percebi coisas fundamentais que essa música traz consigo.

Olhando para o passado, muitas vezes tive o impulso de pensar: “E se eu fosse o primeiro a voltar Pra mudar o que eu fiz, Quem então agora eu seria?”; porém, hoje com a maturidade que tenho vejo que essa pergunta é um equívoco, não é possível voltar ao passado e mudar o que aconteceu e mesmo se tivesse essa oportunidade, não o faria, pois o que eu sou hoje é resultado de todas as experiências que vivi, então, quem seria eu? Eu escolho aquilo que sou, meu presente é reflexo das minhas vivências e não gostaria de ser outra pessoa. Essa constatação traz um alívio sem fim, uma paz de saber que você está no lugar certo, com as escolhas certas, com uma identidade construída a partir daquilo que você é e foi. =D

Meus queridos, se o seu passado não foi aquilo que você gostaria, não sofra por isso, escolha hoje construir um presente e um futuro possíveis, com sonhos reais e objetivos delimitados. Tire o peso, busque paz interior e não dê tanta importância ao que não tem mais relevância hoje. Aprenda a se perdoar de verdade, a esquecer tudo aquilo que não foi tão bom assim, mas que te deu bagagem e visão para reescrever sua história com o cenário que você quer construir a partir de agora!

Olhando para o futuro também poderíamos ter o impulso de pensar: “E se eu for O primeiro a prever E poder desistir Do que for dar errado?”; essa pergunta também pode passar pela sua cabeça... e se você tivesse a capacidade de antecipar e alterar aquilo que escapasse dos seus planos, você o faria? Provavelmente as pessoas extremamente controladoras fariam isso.. rs Mas e qual seria a beleza do amanhã? A surpresa, o livro vazio de possibilidades? A espera e o alcance, a ansiedade e a concretização? Mesmo que saindo um pouco do que foi devidamente estruturado, não é bom pensar que podemos a qualquer momento mudar de direção? Quem seríamos hoje se não tivéssemos recalculado tantas vezes a rota? Somos livres pra escrevermos a história que quisermos, pois “o que não foi não é”, o que não aconteceu não era o nosso caminho. 

Com uma letra altamente explicativa, deixo o final da música como uma poesia pros nossos olhos, como um clarão pras nossas ideias: “Ora, se não sou eu Quem mais vai decidir O que é bom pra mim? Dispenso a previsão. Ah, se o que eu sou É também o que eu escolhi ser, Aceito a condição”; e desejo a vocês que se aceitem, se amem, amem seu passado, amem suas escolhas, amem seus erros, amem seu futuro, eles fazem parte de quem vocês são. Seja todo o seu potencial de existir! Aceite a condição de ser você! ;)

Gosto muito de um filósofo existencialista que fala sobre liberdade e escolhas, o Jean-Paul Sartre, segundo ele somos responsáveis por escolher aquilo que fazemos a nós próprios, independente do que fizeram conosco, isto é, de tudo o que acontece, nós temos a liberdade da nossa própria existência, isso é muito lindo! heart emoticon

Maíra de Melo Sathler
CRP: 05/48726

sábado, 31 de outubro de 2015

Mãos e Pés de Bailarina


         Há quem fale que ser bailarina é fácil, porém não é não, assim como na vida, vista à distância pode parecer simples, mas olhando de perto é cheia de percalços, dificuldades e lutas.

Os bastidores da vida, assim como da bailarina, é um constante aeróbico, cheio de exercícios e alongamentos, aberturas e fechamentos, sorrisos e dores, danças e repousos, correrias e calmarias, definições e roxos. O que importa é o movimento, a arte, o viver.

Com as mãos, a vida se mostra leve, elegante, bonita e cheia de encantos. Uma bailarina consegue se emocionar e causar emoção com o toque suave de suas preciosas e doces mãos!

Com os pés, a vida é firme, forte e com vigor, capaz de sustentar todo o corpo sem pestanejar. Uma bailarina consegue expressar seu equilíbrio, vitalidade e ousadia com a determinação de seus poderosos pés!

Assim, unindo a leveza das mãos com a fortaleza dos pés, a vida se torna completa, colorida e bela, experienciada com realização e plenitude, sob a ótica de uma bailarina que é encantada pela sua dança e encanta a todos com sua perfeição!

Maíra de Melo Sathler
CRP: 05/48726         
*Meu Lado Bailarina :)

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

“Em Cima Do Muro”


Olá pessoaaal, td bem?! Hoje vamos refletir sobre algo que provavelmente todos já passaram, passam ou algum dia passarão, pois é uma temática bastante vivenciada nos tempos modernos. Algum dia você já se sentiu Em Cima Do Muro?, com aquela sensação de não saber o que fazer, se perguntando se deve enfrentar o problema ou fugir dele, se sentindo paralizado totalmente?

Essa sensação de paralização é comum, principalmente nos dias atuais em que tudo é pra ontem, há muita pressa, ansiedade pra que as coisas se resolvam rapidamente e ao mesmo tempo aquela vontade de parar, respirar e entender o que está acontecendo no meio de um turbilhão de emoções...

No meio de um monte de necessidades que emergem no nosso cotidiano, sejam elas físicas, psíquicas ou emocionais, muitas vezes não conseguimos distinguir quais são as nossas prioridades, como hierarquizar essas necessidades de forma a satisfazê-las adequadamente e no tempo certo de cada uma. Quais serão as primeiras a serem resolvidas, como, quando e onde?

Com tantas situações, tantos problemas na cabeça, tantas decisões a tomar tem vezes que o cérebro “pifa” e não dá sequência a nada. Assim, a pessoa não consegue escolher entre tantas opções, não se posiciona, não se mantém no presente, sua mente está no passado ou no futuro, perdendo a capacidade de se concentrar no agora, no que é possível fazer hoje.

Dessa maneira, como uma bola de neve as questões vão se acumulando, aumentando e perdendo ainda mais o foco, afinal várias situações ficaram inacabadas, dissolvendo a possibilidade de serem finalizadas e satisfeitas plenamente. No meio do caminho sobraram pedaços soltos de possibilidades não vividas que são parte de um processo de vida interrompido, frágil, sem completude.

Como sair dessa? Tem pessoas que vivem nessa fixação de não resoluções a vida inteira e não se permitem estar no mundo de forma fluida, natural, leve. Há casos de momentos de paralisia, em que dentro de um processo de decisão a pessoa não consegue definir se vai ou se fica, se encara esse Bicho de 7 Cabeças ou se foge dele pulando o muro... Porém quando esse processo permanece por muito tempo uma luzinha vermelha se acende e se faz necessário um movimento rumo a uma definição.

Viver plenamente é estar certo de que tomou as decisões e realizou as ações adequadas que o momento te exigiu, tendo a consciência que a melhor escolha que você poderia ter feito nesse determinado momento foi justamente a que você fez, se sentindo livre e pronto pra mais um passo no tempo presente.


Maíra de Melo Sathler
CRP: 05/48726 





quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Aprenda a ler os Sinais...

        
         Olá queridos!! Estou de volta depois de uma semaninha sem escrever pra curtir meu niver! Foi maravilhoso e me sinto renovada pra mais um ciclo que a vida me preparou! =D Hoje vou escrever sobre um tema bastante comentado entre as meninas de uma forma geral. Quando você está interessado em alguém, você sabe ler os sinais que a pessoa envia? Entãaao... Às vezes é difícil de ler, né?! Porém, vou tentar te dar um help aí nesses trelelês! Rs

         Estou lendo um livro de Psicologia chamado “A Abordagem Gestáltica” de Fritz Perls. Já falei desse cara (é o fundador da Gestalt-Terapia e um pensador brilhante), e hoje me deparei com uns conceitos muito interessantes que vou tentar passar pra vocês sobre energia/ níveis de atividade e concepção do homem como um todo, homem como um ser holístico.

         Fritz teorizou sobre níveis de atividade do comportamento humano e sua forma energética de manifestação e entendeu o comportamento físico como o nível mais alto de manifestação da energia do ser humano e o comportamento mental como o nível mais baixo de energia em termos de intensidade de expressão externa. Segundo ele, o homem economiza energia quando pensa e antecipa uma situação em sua mente, antes de realizar uma ação, e essa economia de energia é uma forma de investir numa ação mais precisa e calculada que gere um resultado mais satisfatório.

         Perls também acreditava no pensamento holístico de que o homem é um ser total, de que as suas atividades física e mental, isto é, suas ações e seus pensamentos provêm de uma mesma substância, são da mesma origem: o SER do homem. O que isso quer dizer? Se aquilo que a gente pensa e o que a gente faz estão interligados, podemos entender um desvendando o outro. Através de nossos pensamentos (ação mental) podemos compreender as nossas atitudes (ação física) e vice versa, pois ambos são formados pela mesma matéria, logo, são regidos pelas mesmas leis naturais e psíquicas.

         Bom, chega de teoria! Onde eu quero chegar com toda essa explicação? Vamos a algumas reflexões... Qual é o nível de energia que a pessoa que você tem interesse está disponibilizando pra você em termos de atitudes? As ações da pessoa têm sido condizentes com aquilo que ela pensa e diz que sente por você? A intensidade e a proporção de seus pensamentos, emoções e ações têm sido coerentes? Se as instâncias mentais e físicas são partes de uma mesma substância que é o SER, elas são expressas com verdade, sinceridade e honestidade nessa relação? Você percebe que há integração entre elas, que uma expressa a outra? Ou você sente um cheiro de que há algo errado, de que não há congruência, que tem algo forçado ou a pessoa não está sendo inteira pra você?

         Sabe aquele dia em que você está a SUPER SINCERA? Estou assim hoje e vamos a algumas constatações. Seguuuuraa.. Rs  Se o homem não tomou a atitude que você gostaria que ele tomasse, deixe de lado aquele pensamento bobo e ingênuo de que ele é tímido ou tem medo ou não está pronto pra relação ou não entendeu as suas indiretas de que está interessada. Esquece isso, meu bem! Se o homem não tomou a iniciativa que você esperava, sinto muito, mas faltou algo... faltou sentimento, faltou certeza, faltou vontade!

Vamos aprender a ler os Sinais. Se existem somente palavras sobre sentimentos e vontades, mas não existe atitude, há algo de errado sim, e talvez ele não esteja interessado meeesmo, não vamos justificá-lo. Entenda de uma vez por todas, gatas: se o cara quer, ele age! Assim deveríamos esperar que um homem sendo homem seja. Se não for, é menino moleque e não precisamos disso, NÃO SOMOS Obrigadas!

Maíra de Melo Sathler
CRP: 05/48726

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Vamos assumir nossas próprias responsabilidades, vamos?



Oi galerinhaaa! Hoje vou falar de uma temática um pouco complexa, mas espero trazer algo de novo pra vocês pensarem! ;) Já ouviram falar da palavrinha mágica Responsabilização? Então, ela é bastante usada por nós psicólogos e quando a pessoa consegue entender e aplicar isso na sua vida, tudo se torna mais claro! É como se uma nuvem negra se abrisse na nossa mente. Uau! rs

       Vamos ao significado da palavra ResponsabilizaçãoATO e EFEITO de se responsabilizar, se tornar responsável (Etm. responsabilizar + cão – ação). Essa palavra possui um ato e um efeito, ou seja, uma AÇÃO e uma CONSEQUÊNCIA. Afinal, todas as nossas ações possuem consequências que emanam delas, neah? Obs.: Mesclei algumas definições que busquei do Google, mas não alterei a essência do significado.

        Começaremos com sua autoanálise, você se responsabiliza pelos seus próprios atos? Parece uma pergunta simples com resposta óbvia: “- É claro que sim, sou uma pessoa adulta e responsável!” (com certa irritação na voz). Pois é, mas na prática não funciona bem assim pra algumas pessoas e elas nem percebem, apenas com um olhar atento podemos checar isso.. O.o (Chocada! rs)

Podemos constatar no nosso dia a dia, você já reparou que tem pessoas que nunca assumem suas fraquezas/defeitos/erros e sempre colocam a bola quente na mão de outra pessoa? Um exemplo: “- Isso não fui eu quem fez, foi o fulaninho de tal... A culpa é dele!!!” (falando com toda a razão do mundo). Acontece muito no meio empresarial, em que um erro pode ser considerado fatal pra sua reputação profissional ou até mesmo pra sua permanência no emprego e se torna mais fácil colocar a responsabilidade no outro. Às vezes esse outro não corre perigo, então, se torna mais fácil e cômodo ainda, certo? Pois é.. Mas pode ocorrer de forma não deliberada também, em que a pessoa nem se dá conta de estar agindo dessa forma, aí meu amigo, a coisa começa a ficar séria.. rs E são nesses casos que pretendo me focar nesse texto.

Já notou alguém te dizendo algo como: “- Nossa, como aquela pessoa dirige mal!..”, e você olha assustado pra quem fez essa afirmação e pensa: “Como ela não enxerga que dirige muito pior do que a pessoa que ela criticou?”. Ou em relação a comportamentos, como por exemplo: “- Fulaninha é muito desorganizada, olha como a mesa dela está bagunçada?”, mas não percebe que falou pra uma pessoa que conhece sua casa e sabe que seu armário é uma loucura e não se acha nada.. Enfim, muitos exemplos poderiam ser citados aqui, porém exemplifiquei algo simples pra vocês se situarem. Existe um versículo bíblico que se encaixa nesse tema que está em Mateus 7:4 que diz: “Como é que você pode dizer ao seu irmão: “Me deixe tirar esse cisco do seu olho”, quando você está com uma trave no seu próprio olho?”.

Gente, vamos parar pra pensar nisso! Será que agimos assim e não percebemos? Será que estamos reconhecendo nossos comportamentos no meio em que estamos inseridos? Será que projetamos no outro defeitos, fracassos, erros, faltas, decepções ou até mesmo expectativas, sonhos, desejos que são nossos, esperando que o outro atenda e responda satisfatoriamente algo que é nosso e de mais ninguém?

Sinto muito lhe informar, mas se acontece com você, pare e reflita! Isso definitivamente não é ser responsável por si e sim colocar no outro uma responsabilidade que é sua e somente sua de responder de forma satisfatória aos seus anseios, expectativas, necessidades, desejos, decepções, frustrações, erros, fraquezas e etc. Quando você notar que está fazendo isto, pense: o que tem de você no que você está se referindo sobre o outro?

Nos relacionamentos amorosos essa falta de responsabilização ocorre quando o parceiro afirma que a relação não deu certo ou até mesmo nos desentendimentos, porque o outro sempre é o errado e o culpado e a pessoa não consegue perceber sua parcela de contribuição para que aquela relação tenha sido fadada ao fracasso. Afinal, todo relacionamento é uma troca e sempre há dois lados em qualquer situação, basta utilizar o bom senso.

Agindo dessa maneira, culpabilizando o outro por algo que é seu, você se afasta de si mesmo, se torna alienado de suas ideias, ações e emoções e se coloca num lugar que não é seu e coloca o outro num lugar que não é dele. Sendo assim, os papéis e os limites de cada um se misturam e tudo fica muito confuso, criando um emaranhado de dúvidas, inseguranças, preocupações e desequilíbrio emocional.

Estão vendo que não é tão tranquilo ser adulto e responsável.. Rs É preciso coragem e ousadia pra ser exatamente aquilo que se é e permitir ao outro ser quem ele é também! Só assim compreenderemos o nosso papel no ambiente em que estamos e aceitaremos e afirmaremos o papel do outro como legítimo outro (Conceito da Psicologia Dialógica de Martin Buber sobre relação Eu-Tu, Eu-Isso). A responsabilização é um desafio a ser seguido todos os dias, pra estarmos juntos Subindo Um Degrau por vez. =D

Vou finalizar com uma citação de Jung, Bom Fim de Semana!!
“Tudo o que nos irrita nos outros pode nos levar a uma compreensão sobre nós mesmos.” Carl Jung

Maíra de Melo Sathler
CRP: 05/48726  

*Imagem retirada do site desenhar.arq.br

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O que é seu e o que é do outro? Você sabe distinguir?



Em algum momento você já parou e pensou, isso sou eu que penso ou é a outra pessoa que me relaciono que pensa assim? Ou, eu estou agindo assim por que eu quero ou por que o outro quer que eu aja assim? Ou ainda, eu acredito nisso mesmo ou estou acreditando em algo que a outra pessoa “me fez” acreditar? Bom, se você respondeu sim a algumas dessas questões, vou te fazer algumas provocações nesse texto pra você refletir um pouco, porque sou dessas! Rs

Desde que nascemos aprendemos com o meio externo certos padrões de comportamentos, pensamentos, sentimentos, vontades, desejos, valores e etc., e os reproduzimos, muitas vezes automaticamente, sem reflexão. Desde cedo a sociedade, a família, as instituições, as escolas, os clubes e os diversos ambientes que frequentamos tentam nos imputar conceitos, filosofias de vida, modelos comportamentais e intelectuais que pra eles são os “melhores” e os mais “adequados” a nós. Porém, onde ficamos nessa história toda? Temos o direito de escolher? Podemos sentir, pensar e agir da forma mais adaptada a nós, como seres únicos e individuais, com seus próprios desejos e necessidades a realizar? Podemos nos dar o presente de sermos genuinamente nós?

Através do olhar da abordagem teórica-prática que procuro me direcionar dentro da Psicologia, a Gestalt-Terapia, compreendo o ser humano como dotado de capacidade e potencial para fazer suas próprias escolhas, consciente daquilo que é melhor pra ele em cada momento de sua vivência psicológica, a fim de se chegar ao equilíbrio interno. Porém, essa capacidade e potencial pode ainda não ter sido alcançada por todos, em todos os momentos, afinal, somos pessoas em constante crescimento e transformação e não estamos prontos, certo? =D Isso não deve ser encarado como um peso maior do que ele de fato é!

Em alguma situação ou fase da sua vida você pode ter se questionado: Quem de fato eu sou? O que eu gosto? O que eu quero? Quais são meus planos e sonhos? Quais são meus valores? O que define o que eu sou?. Essas e muitas perguntas sempre rondaram meus pensamentos desde que me recordo por gente! Rs Talvez tenha sido por isso que me abri pra minha profissão, mas pra maioria das pessoas esses questionamentos surgem na fase da adolescência, natural que seja assim, pois é a fase em que começamos a entrar em conflito com o meio pra tentarmos nos achar nesse emaranhado de direitos e deveres, prazeres e obrigações, desejos e proibições.

A adolescência é o período em que aprendemos a dizer não, ou não! Hehe Quando não aprendemos sobre os limites e as possibilidades do Sim e do Não nessa fase, podemos chegar até a fase adulta com algumas encrencas pra resolver! Quero enfatizar a falta do Não nesse texto: o que acontece quando não aprendemos a negar o que o ambiente nos oferece sem nos perguntar se queremos, quando o que pensamos é o que vemos na Tv ou lemos no jornal, quando não refletimos se faz sentido pensar de determinada maneira, quando não analisamos nossos próprios pré-conceitos, quando sentimos o que achamos que deveríamos sentir, quando agimos da forma que os nossos pais, professores, pessoas mais velhas querem, sem pensar sobre o que nós queremos fazer, quando não conseguimos separar o que é nosso e o que é do outro, quando os nossos comportamentos são simples reproduções do que vemos?

Será que estamos conseguindo ser nós mesmos? Ou melhor, será que podemos ser nós mesmos? Sim, nós podemos, se quisermos! Que alívio, não? É maravilhoso saber que somos aquilo que queremos e ousamos ser!

A pergunta que deve estar ecoando na sua mente agora: Ok, entendi, mas o que fazer com toda a teia amarrada de valores, conceitos, padrões e estilos de vida que eu sigo desde sempre, sem entender muito bem porque eu faço isso, apenas faço, apenas reproduzo o que aprendi sem digerir, sem refletir se faz sentido pra mim, sem questionar se é o melhor que posso ser, sentir, pensar e agir? Me contrate como sua psicóloga! Haha Brincadeiras a parte, é bom sim começar uma conscientização de tudo isso mais profundamente...

Comece como um processo de alimentação, em que você ingere o alimento e precisa de um momento para digerir, destruir, quebrar o alimento em partes menores para poder engolir. O processo de assimilação psíquica é semelhante, precisamos de um tempo para digerir aquilo que o meio ambiente nos apresenta, para assim sabermos o que é nosso e o que é do meio, o que queremos preservar, conservar em nós e o que queremos jogar fora, pois não nos pertence. Esse processo é lento e dura enquanto vivermos, porém há pessoas que tem uma maior facilidade nisso e outras precisam mudar suas perspectivas e percepções para se conhecer e se reconhecer em si mesmas. Obs.: Esses conceitos de relacionar o processo fisiológico da alimentação com o processo psicológico da assimilação foram propostos por Fritz Perls, o fundador da Gestalt-Terapia, em seu livro Ego, Fome e Agressão (1942).

Nesse texto curto tive como objetivo, além de te fazer pensar um pouco, também usar essa reflexão pra te ajudar a melhorar, pois essa é a felicidade que nós psicólogos temos, quando conseguimos colocar um tijolo no degrau da escada da vida das pessoas! Até a próxima provocação!

Maíra de Melo Sathler
CRP: 05/48726


*Créditos da imagem para a página do face Hierophant.

Oláaaa!



     Oláaaa pessoal, tudo bem com vcs?

     Gostaria de me apresentar, afinal precisamos nos conhecer! rs
Meu nome é Maíra, faço 29 anos na semana que vem, dia 14 (quero parabéns! rs), sou Psicóloga formada pela UFRJ e cursando Pós Graduação em Psicologia Clínica na abordagem Gestalt-Terapia.

   Meu objetivo com a criação desse Blogger é trazer alguns conceitos da Psicologia para o cotidiano da vida de vocês em forma de reflexão. Pretendo falar de temas que me atravessam enquanto pesquisadora da mente humana, numa linguagem mais simples e de fácil compreensão, até mesmo com uma proposta de ampliação do nosso campo de visão e de percepção através do debate! =D

   Não me proponho aqui a fazer terapia com ninguém, muito embora esse espaço também é uma forma de divulgação do meu trabalho como Psicoterapeuta. Quem sentir interesse de indicar alguém ou até mesmo ser atendido por mim, pode entrar em contato pra avaliarmos a possibilidade de um processo terapêutico. Porém, fiquem tranquilos, não estarei avaliando vcs nos comentários, isso aqui não é setting terapêutico. rsrs

  Sejam Bem Vindos, estou muito feliz e empolgada com esse blog, acreditando em trocas genuínas e facilitando esse processo de estarmos Subindo Um Degrau de cada vez!