quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O que é seu e o que é do outro? Você sabe distinguir?



Em algum momento você já parou e pensou, isso sou eu que penso ou é a outra pessoa que me relaciono que pensa assim? Ou, eu estou agindo assim por que eu quero ou por que o outro quer que eu aja assim? Ou ainda, eu acredito nisso mesmo ou estou acreditando em algo que a outra pessoa “me fez” acreditar? Bom, se você respondeu sim a algumas dessas questões, vou te fazer algumas provocações nesse texto pra você refletir um pouco, porque sou dessas! Rs

Desde que nascemos aprendemos com o meio externo certos padrões de comportamentos, pensamentos, sentimentos, vontades, desejos, valores e etc., e os reproduzimos, muitas vezes automaticamente, sem reflexão. Desde cedo a sociedade, a família, as instituições, as escolas, os clubes e os diversos ambientes que frequentamos tentam nos imputar conceitos, filosofias de vida, modelos comportamentais e intelectuais que pra eles são os “melhores” e os mais “adequados” a nós. Porém, onde ficamos nessa história toda? Temos o direito de escolher? Podemos sentir, pensar e agir da forma mais adaptada a nós, como seres únicos e individuais, com seus próprios desejos e necessidades a realizar? Podemos nos dar o presente de sermos genuinamente nós?

Através do olhar da abordagem teórica-prática que procuro me direcionar dentro da Psicologia, a Gestalt-Terapia, compreendo o ser humano como dotado de capacidade e potencial para fazer suas próprias escolhas, consciente daquilo que é melhor pra ele em cada momento de sua vivência psicológica, a fim de se chegar ao equilíbrio interno. Porém, essa capacidade e potencial pode ainda não ter sido alcançada por todos, em todos os momentos, afinal, somos pessoas em constante crescimento e transformação e não estamos prontos, certo? =D Isso não deve ser encarado como um peso maior do que ele de fato é!

Em alguma situação ou fase da sua vida você pode ter se questionado: Quem de fato eu sou? O que eu gosto? O que eu quero? Quais são meus planos e sonhos? Quais são meus valores? O que define o que eu sou?. Essas e muitas perguntas sempre rondaram meus pensamentos desde que me recordo por gente! Rs Talvez tenha sido por isso que me abri pra minha profissão, mas pra maioria das pessoas esses questionamentos surgem na fase da adolescência, natural que seja assim, pois é a fase em que começamos a entrar em conflito com o meio pra tentarmos nos achar nesse emaranhado de direitos e deveres, prazeres e obrigações, desejos e proibições.

A adolescência é o período em que aprendemos a dizer não, ou não! Hehe Quando não aprendemos sobre os limites e as possibilidades do Sim e do Não nessa fase, podemos chegar até a fase adulta com algumas encrencas pra resolver! Quero enfatizar a falta do Não nesse texto: o que acontece quando não aprendemos a negar o que o ambiente nos oferece sem nos perguntar se queremos, quando o que pensamos é o que vemos na Tv ou lemos no jornal, quando não refletimos se faz sentido pensar de determinada maneira, quando não analisamos nossos próprios pré-conceitos, quando sentimos o que achamos que deveríamos sentir, quando agimos da forma que os nossos pais, professores, pessoas mais velhas querem, sem pensar sobre o que nós queremos fazer, quando não conseguimos separar o que é nosso e o que é do outro, quando os nossos comportamentos são simples reproduções do que vemos?

Será que estamos conseguindo ser nós mesmos? Ou melhor, será que podemos ser nós mesmos? Sim, nós podemos, se quisermos! Que alívio, não? É maravilhoso saber que somos aquilo que queremos e ousamos ser!

A pergunta que deve estar ecoando na sua mente agora: Ok, entendi, mas o que fazer com toda a teia amarrada de valores, conceitos, padrões e estilos de vida que eu sigo desde sempre, sem entender muito bem porque eu faço isso, apenas faço, apenas reproduzo o que aprendi sem digerir, sem refletir se faz sentido pra mim, sem questionar se é o melhor que posso ser, sentir, pensar e agir? Me contrate como sua psicóloga! Haha Brincadeiras a parte, é bom sim começar uma conscientização de tudo isso mais profundamente...

Comece como um processo de alimentação, em que você ingere o alimento e precisa de um momento para digerir, destruir, quebrar o alimento em partes menores para poder engolir. O processo de assimilação psíquica é semelhante, precisamos de um tempo para digerir aquilo que o meio ambiente nos apresenta, para assim sabermos o que é nosso e o que é do meio, o que queremos preservar, conservar em nós e o que queremos jogar fora, pois não nos pertence. Esse processo é lento e dura enquanto vivermos, porém há pessoas que tem uma maior facilidade nisso e outras precisam mudar suas perspectivas e percepções para se conhecer e se reconhecer em si mesmas. Obs.: Esses conceitos de relacionar o processo fisiológico da alimentação com o processo psicológico da assimilação foram propostos por Fritz Perls, o fundador da Gestalt-Terapia, em seu livro Ego, Fome e Agressão (1942).

Nesse texto curto tive como objetivo, além de te fazer pensar um pouco, também usar essa reflexão pra te ajudar a melhorar, pois essa é a felicidade que nós psicólogos temos, quando conseguimos colocar um tijolo no degrau da escada da vida das pessoas! Até a próxima provocação!

Maíra de Melo Sathler
CRP: 05/48726


*Créditos da imagem para a página do face Hierophant.

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