Em algum
momento você já parou e pensou, isso sou eu que penso ou é a outra pessoa que
me relaciono que pensa assim? Ou, eu estou agindo assim por que eu quero ou por
que o outro quer que eu aja assim? Ou ainda, eu acredito nisso mesmo ou estou
acreditando em algo que a outra pessoa “me fez” acreditar? Bom, se você
respondeu sim a algumas dessas questões, vou te fazer algumas provocações nesse
texto pra você refletir um pouco, porque sou dessas! Rs
Desde que
nascemos aprendemos com o meio externo certos padrões de comportamentos,
pensamentos, sentimentos, vontades, desejos, valores e etc., e os reproduzimos,
muitas vezes automaticamente, sem reflexão. Desde cedo a sociedade, a família,
as instituições, as escolas, os clubes e os diversos ambientes que frequentamos
tentam nos imputar conceitos, filosofias de vida, modelos comportamentais e
intelectuais que pra eles são os “melhores” e os mais “adequados” a nós. Porém,
onde ficamos nessa história toda? Temos o direito de escolher? Podemos sentir,
pensar e agir da forma mais adaptada a nós, como seres únicos e individuais,
com seus próprios desejos e necessidades a realizar? Podemos nos dar o presente
de sermos genuinamente nós?
Através do
olhar da abordagem teórica-prática que procuro me direcionar dentro da
Psicologia, a Gestalt-Terapia, compreendo o ser humano como dotado de
capacidade e potencial para fazer suas próprias escolhas, consciente daquilo
que é melhor pra ele em cada momento de sua vivência psicológica, a fim de se
chegar ao equilíbrio interno. Porém, essa capacidade e potencial pode ainda não
ter sido alcançada por todos, em todos os momentos, afinal, somos pessoas em
constante crescimento e transformação e não estamos prontos, certo? =D Isso não
deve ser encarado como um peso maior do que ele de fato é!
Em alguma
situação ou fase da sua vida você pode ter se questionado: Quem de fato eu sou?
O que eu gosto? O que eu quero? Quais são meus planos e sonhos? Quais são meus
valores? O que define o que eu sou?. Essas e muitas perguntas sempre rondaram
meus pensamentos desde que me recordo por gente! Rs Talvez tenha sido por isso
que me abri pra minha profissão, mas pra maioria das pessoas esses questionamentos
surgem na fase da adolescência, natural que seja assim, pois é a fase em que
começamos a entrar em conflito com o meio pra tentarmos nos achar nesse
emaranhado de direitos e deveres, prazeres e obrigações, desejos e proibições.
A
adolescência é o período em que aprendemos a dizer não, ou não! Hehe Quando não
aprendemos sobre os limites e as possibilidades do Sim e do Não nessa fase,
podemos chegar até a fase adulta com algumas encrencas pra resolver! Quero
enfatizar a falta do Não nesse texto: o que acontece quando não aprendemos a
negar o que o ambiente nos oferece sem nos perguntar se queremos, quando o que
pensamos é o que vemos na Tv ou lemos no jornal, quando não refletimos se faz
sentido pensar de determinada maneira, quando não analisamos nossos próprios
pré-conceitos, quando sentimos o que achamos que deveríamos sentir, quando
agimos da forma que os nossos pais, professores, pessoas mais velhas querem,
sem pensar sobre o que nós queremos fazer, quando não conseguimos separar o que
é nosso e o que é do outro, quando os nossos comportamentos são simples
reproduções do que vemos?
Será que
estamos conseguindo ser nós mesmos? Ou melhor, será que podemos ser nós mesmos?
Sim, nós podemos, se quisermos! Que alívio, não? É maravilhoso saber que somos
aquilo que queremos e ousamos ser!
A pergunta
que deve estar ecoando na sua mente agora: Ok, entendi, mas o que fazer com
toda a teia amarrada de valores, conceitos, padrões e estilos de vida que eu
sigo desde sempre, sem entender muito bem porque eu faço isso, apenas faço,
apenas reproduzo o que aprendi sem digerir, sem refletir se faz sentido pra
mim, sem questionar se é o melhor que posso ser, sentir, pensar e agir? Me
contrate como sua psicóloga! Haha Brincadeiras a parte, é bom sim começar uma
conscientização de tudo isso mais profundamente...
Comece como
um processo de alimentação, em que você ingere o alimento e precisa de um
momento para digerir, destruir, quebrar o alimento em partes menores para poder
engolir. O processo de assimilação psíquica é semelhante, precisamos de um
tempo para digerir aquilo que o meio ambiente nos apresenta, para assim sabermos
o que é nosso e o que é do meio, o que queremos preservar, conservar em nós e o
que queremos jogar fora, pois não nos pertence. Esse processo é lento e dura
enquanto vivermos, porém há pessoas que tem uma maior facilidade nisso e outras
precisam mudar suas perspectivas e percepções para se conhecer e se reconhecer
em si mesmas. Obs.: Esses conceitos de relacionar o processo fisiológico da alimentação com o processo psicológico da assimilação foram propostos por Fritz Perls, o fundador
da Gestalt-Terapia, em seu livro Ego, Fome e Agressão (1942).
Nesse texto
curto tive como objetivo, além de te fazer pensar um pouco, também usar essa
reflexão pra te ajudar a melhorar, pois essa é a felicidade que nós psicólogos
temos, quando conseguimos colocar um tijolo no degrau da escada da vida das
pessoas! Até a próxima provocação!
Maíra de Melo Sathler
CRP: 05/48726
Maíra de Melo Sathler
CRP: 05/48726

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